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Art deco no Porto: edifícios a não perder

Para quem está farto de ler sobre os mesmo monumentos, fica aqui uma lista dos edifícios mais memoráveis de art deco no Porto.

Sara Riobom

Março 26, 2018

Tour Privado no Porto

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Antes de ler este artigo: já tem onde ficar no Porto? Se não tiver, leia o meu artigo sobre Onde Ficar no Porto: as Melhores Zonas da Cidade.

A Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas de 1925, em Paris, foi um ponto de viragem na arquitetura moderna.
A exposição é creditada pelo crescimento global da Art Deco, entre as Guerras Mundiais e imediatamente após o final da Segunda Guerra Mundial.

E, como em muitas outras cidades do mundo, o Porto não foi imune a essa influência arquitetónica. Latia o desejo pela novidade, especialmente depois da Primeira Guerra Mundial, pelo que muitos arquitetos portugueses de renome adoptaram a Art Deco e seu trabalho ainda hoje “está de pé”, sendo valorizado e protegido.
Neste artigo exploro os melhores exemplos de Art Deco no Porto. No entanto, este estilo arquitetónico não é exclusivo dos exemplos mencionados, existindo muitos outros edifícios que valem a pena ser explorados.

Eis os meus edifícios preferidos de Art Deco no Porto:

O Comércio do Porto (1930)

Avenida dos Aliados | Porto
© Jornal de Notícias

Este belo edifício na Avenida dos Aliados foi a casa do jornal mais antigo de Portugal continental, o jornal “Comércio do Porto” viveu 151 anos antes de ser suspenso em 2005.
Não podemos falar de Art Deco no Porto sem mencionar Rogério de Azevedo, o arquiteto do edifício do jornal.
Ao conceber o edifício do Comércio do Porto, R. Azevedo levou em consideração os edifícios circundantes, existindo uma evidente harmonia entre todos. O arquiteto construiu muitos edifícios de Art Deco no Porto, incluindo um na Rua de Santa Catarina, 533.
Em 2016, soube-se que o edifício Comércio do Porto foi comprado por uma empresa imobiliária para se transformar em apartamentos de luxo. Os novos proprietários foram obrigados a preservar a estrutura original do edifício.
Como chega lár: a estação de metro dos Aliados fica mesmo em frente.

Caixa Geral de Depósitos (1931)

Avenida dos Aliados | Porto
© Porto24

Ainda na Avenida dos Aliados, fica o edifício do banco português Caixa Geral de Depósitos. O banco foi projetado por Porfírio Pardal Monteiro a partir de 1924. Para dar início ao projeto, vários prédios da mesma rua foram demolidos e o material foi colocado à venda.
Em 1931, uma revista de arquitectura descreveu o edifício como “uma modernização do clássico”. O exterior e o interior são grandes emblemas do Art Deco do século XX no Porto.
Como chegar lá: a estação de metro dos Aliados fica mesmo em frente.

Teatro Rivoli (1932)

Rua do Bonjardim, 143 | Porto
© Câmara Municipal do Porto

O Rivoli é um teatro municipal conhecido por incorporar a Art Deco no Porto. Em 1913, o edifício chamava-se Teatro Nacional. Mas, para acompanhar as muitas mudanças urbanas que ocorreram no Porto, o Teatro Rivoli foi transformado na obra-prima que vemos hoje. O arquiteto designado para o projeto foi Júlio de Brito (1923).
No final dos anos 90 o Rivoli passou por uma restauração completa. Passou, posteriormente, um período em que este “entregue à bicharada” (leia-se, aos espetáculos do La Feria). Felizmente, a gestão do Rivoli passou outra vez para a Câmara Municipal do Porto que, através de um jovem e competente diretor, hoje em dia apresenta uma programação diversificada e acessível de peças de dança, música, teatro, cinema, e de circo contemporâneo.
Como chegar lá: a estação de metro dos Aliados fica a 5 minutos a pé.

Farmácia Vitália (1933)

Praça Liberdade, 34 | Porto
© Carmelo Peciña

Esta farmácia enorme está localizada na Praça da Liberdade e foi projetada por Amoroso Lopes e Manuel Marques – dois dos mais importantes arquitetos modernos do século XX. O edifício está dentro de um antigo palácio (Palácio das Cardosas), onde o InterContinental Porto – Palácio das Cardosas, um dos melhores hotéis de luxo do Porto, está situado.
A simetria, a simplicidade e o uso do vidro fazem desta farmácia um dos melhores exemplos de Art Deco no Porto. É também um dos muitos edifícios que a autarquia está empenhada em proteger.
Como chegar lá: a estação de metro São Bento fica a 5 minutos a pé.

Bolsa do Pescado (1935)

Alameda de Basílio Teles, 29 | Porto
© Vincci Hoteles

Localizado mesmo em frente ao rio Douro, o Hotel Vincci Porto capta logo a atenção dos transeuntes. O hotel de 4 estrelas, classificado como um monumento histórico, era um mercado de peixe construído por Januário Godinho em 1933. Imagens de satélite mostram que o edifício é na realidade composto por dois edifícios que coexistem no mesmo espaço – uma inovação significativa na arquitectura do século XX. Após a sua conversão para um hotel, o edifício original foi completamente conservado.
(Nota: já fiquei hospedada no Hotel Vincci Porto e adorei a experiência – especialmente o farto café da manhã que inclui mesas temáticas! A que me chamou a atenção foi a”mesa saudável” com sementes, nozes e leites vegetais … tudo o que eu adoro! 🙂
Como chegar lá: apanhe o elétrico 1, é um passeio ribeirinho muito bonito! 🙂

Armazéns Cunhas (1936)

Praça de Gomes Teixeira, 14/22 | Porto


Bem em frente à Reitoria da Universidade do Porto, encontra os Armazéns Cunhas. O edifício com o seu “desenho” de um pavão imenso, tornou-se um favorito para muitas pessoas, especialmente crianças 🙂 O que é surpreendente neste edifício é o facto de ser constituído por três casas do século XVIII unidas.
A loja, juntamente com o Majestic Café e muitos outros, é protegida pela Câmara do Porto pelo seu valor tradicional. O edifício foi obra de Manuel Marques, que iniciou o projeto em 1933.
Como chegar lá: a estação de metro São Bento fica a 5 minutos a pé.

Coliseu do Porto (1941)

Rua de Passos Manuel, 137 | Porto
© Coliseu.pt

O Coliseu do Porto é simultaneamente um teatro e uma sala de concertos. Quando se trata de Art Deco no Porto, o Coliseu é incontornável. O projeto foi uma colaboração entre muitos arquitetos sendo o exterior icônico, no entanto, atribuído a Cassiano Branco, outro importante arquiteto modernista em Portugal.
O local onde o Coliseu reside é conhecido como o Salão Jardim Passos Manuel (1908), que serviu de cinema e foi o primeiro salão público local no Porto. O Coliseu foi tão bem sucedido que precisou de expansão. Assim, em 1938, começou a construção do Coliseu do Porto.
Em 1995, surgiram rumores de que o Coliseu do Porto iria ser vendido à Igreja Universal do Reino de Deus, o que incomodou imensamente os portuenses, que consideravam o edifício um monumento histórico e um símbolo da cultura portuense. (Quem, afinal, é que não se recorda de ver o Pedro Abrunhosa acorrentado às portas do Coliseu do Porto?!). Felizmente, a histeria coletiva resultou na feliz aquisição do Coliseu pela Câmara Municipal do Porto e por outras entidades públicas em 1996.
Como chegar lá: a estação de metro 24 de Agosto fica a 10 minutos a pé.

Casa de Serralves (1944)

Rua Dom João de Castro, 210 | Porto
© Serralves.pt

O museu de Serralves é um dos 10 lugares incontornáveis para quem planeia visitar o Porto.
O edifício cor de rosa foi desenhado por Charles Siclis e implementado por José Marques da Silva. O dono original da quinta era o conde Carlos Alberto Cabral, que transformou a casa de veraneio da sua família num dos melhores exemplos da Art Deco no Porto. Em 1955, o edifício foi vendido a outro empresário português, Delfim Ferreira.
No entanto, o governo português comprou o imóvel em 1987 para transformá-lo num museu e proteger a herança do edifício. Mais tarde, o extraordinário arquiteto Álvaro Siza Vieira foi designado para converter o edifício num museu de arte contemporânea.
Como chegar lá: apanhe o metro até à estação Casa da Música e, daí, chame um Uber.

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