Porquê tomar um cimbalino no café Majestic no Porto?

Comida & Bebida

Abril 11, 2016

Perguntado por Marta, Madeira

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No Porto, o café é o momento do dia em que o relógio pára e dá lugar a uma merecida pausa, na companhia dos amigos ou dos colegas de trabalho.

De tal forma está enraizada a cultura do café – perdão, do cimbalino; assim lhe chamamos cá no Porto – que se quisermos estar com alguém, convidamos para “um café”, independentemente da natureza do encontro. E haverá melhor sítio para tomar café do que no café Majestic no Porto?

Antes de ler este artigo: você já tem alojamento na cidade? Se não tiver, descubra onde ficar no Porto, quais os melhores bairros e dicas dos melhores hotéis e apartamentos.

A história do Café Majestic no Porto

O famoso Café Majestic no Porto abriu as portas em 1921, com o nome Café Elite, que funcionava como um clube privado, o que desagradava à população da cidade, de hábitos bem burgueses e desempoeirados.

Em 1923, com a entrada de um novo sócio, o Café Elite dá lugar ao Café Majestic, nome e decoração inspirados na Belle Époque francesa.

Iniciava-se uma década de esperança, de renovada alegria após a terrível primeira guerra mundial, e quando ainda não se perspectivava que outra guerra chegasse tão cedo. E essa crença no futuro, essa esperança de uma vida melhor, está bem reflectida na decoração luxuosa e exibida do Café Majestic no Porto.

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Pólo congregador das grandes tertúlias políticas e literárias do Porto dos anos 20 e 30, o Café Majestic entrou em decadência durante a Segunda Guerra Mundial, tendo sido vendida grande parte do seu recheio original (incluindo os candeeiros e a mesa de bilhar), e despedido parte do pessoal, para responder à chamada “taxa de guerra”.

Foram precisas várias décadas até aparecer alguém disposto a resgatar o esplendor dourado do Café Majestic no Porto.

De seu nome Agostinho Barrias, natural de Vila Real, um “self made man” com uma paixão antiga por cafés históricos. Após uma década de trabalho no Brasil, Agostinho volta para Portugal e em 1983 decide investir no Café Majestic no Porto, muito embora não fosse oriundo desta cidade. As obras de renovação demoraram vários anos porque o proprietário decidiu que as mesmas deveriam estar de acordo com o traço original do café. “Investi porque gostava do Café Majestic, sem saber se ia dar lucro”, disse-me Agostinho.
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Dado que o recheio do Café Majestic no Porto estava bastante delapidado, Agostinho e um dos seus filhos, Fernando, dedicaram-se à procura de imagens antigas do café, que lhes permitissem recriá-lo de acordo com o seu estilo original.

Encontraram, por fim, o negativo de uma imagem e iniciaram os trabalhos de restauro, tendo conseguido, inclusivamente, fazer réplicas exactas dos candeeiros originais.
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O Café Majestic no Porto, após 8 anos de trabalhos, recuperou o lugar justo como o café mais elegante da cidade. Ao longo do tempo, para além dos milhares de turistas que o procuram todos os anos, teve ilustres visitas como Romy Schneider, Fafá de Belém e Juscelino Kubitschek, antigo presidente do Brasil.

No entanto, e levantando talvez alguma polémica com estas palavras, eu cá sou da opinião que não vale muito a pena ir ao Café Majestic, embora seja considerado uma das melhores atividades para fazer no Porto. Tornou-se, infelizmente, um lugar de peregrinação das hordas turísticas. É um local sempre a abarrotar, barulhento, e onde os preços ultrapassam largamente os normalmente praticados noutros locais.

No entanto, gostava de vos convidar a conhecer outro café histórico do Porto, um local maravilhoso que os turistas ignoram. O mais curioso é que, por pertencer aos mesmos donos do Café Majestic, tem EXACTAMENTE o mesmo menú, mas os preços praticados são muito inferiores!

Mas antes disso, se estiver a gostar deste artigo, não se esqueça de guardar este artigo para mais tarde:

Café Guarany – Avenida dos Aliados, 85/89

Os mais atentos poderão já ter reparado nas semelhanças entre o Café Majestic e o Café Guarany: o mesmo café delicioso, as famosas rabanadas com creme de ovos, o serviço atento e atencioso, a conservação do estilo inicial de ambos os cafés… não é por acaso. Na verdade, os dois cafés pertencem à família Barrias!historia famoso cafe guarany porto
O Café Guarany foi fundado em 1933 e a sua localização privilegiada, na Avenida dos Aliados (“o hall de entrada do Porto”), não foi inocente. Nessa época a avenida fervilhava de homens de negócios e profissionais liberais, e o Café Guarany tornou-se numa sala de negócios “com vista para os Aliados”. Para além disso, caía na categoria de café – concerto, por ter uma belíssima orquestra residente que animava as matinés dos seus fieis clientes.

Em 1958, passou-se um episódio muito engraçado no Café Guarany. O general Humberto Delgado, em campanha eleitoral para a Presidência da República, discursava na janela da sua suite no Hotel Infante de Sagres, perante uma grande multidão. Ora a polícia apareceu para dispersar as pessoas e um grupo de estudantes resolve entrar no Café Guarany, confiante de que os polícias, a cavalo, não se atreveriam a entrar. Mas eis que um polícia entra no Café Guarany, montado a cavalo!
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Não sei se sabe também que o nome do Café Guarany, esconde uma bonita homenagem ao povo brasileiro.

No século XVII os índios guarany constituíam a maior população indígena do Brasil, uma tribo pacífica que inspirou o famoso escritor brasileiro José de Alencar, a escrever o romance “O Guarani”, sobre a relação proibida entre uma fidalga do Porto, Cecília, e o índio Pery, chefe de uma tribo guarani. Esse romance deu mais tarde origem a uma ópera de Carlos Gomes, “Il Guarany,” que estreou no famoso Teatro Alla Scala de Milão, Itália.

Esta bonita história inspirou os donos do Café Guarany, “o perfume indígena da Amazónia no coração do Porto”, como homenagem à bonita relação entre o Porto e o Brasil. Por isso, no Café Guarany encontram duas magníficas telas da pintora Graça de Morais, denominadas “Os senhores da Amazónia”, que retratam o dia a dia da tribo Guarany. Para além disso, existe também um alto relevo em mármore de Henrique Moreira, chamado “O Guarany” – um imenso índio, majestoso no seu silêncio, a velar pela segurança dos que se encontram no Café Guarany.historia famoso cafe guarany porto decoração
Eu vou muitas vezes ao Café Guarany, onde divago na escrita ou na leitura enquanto tomo um café demorado.

Embora aprecie os dois cafés, pela sua dimensão histórica, prefiro o Guarany, nas suas manhãs sossegadas com vista para os Aliados. Às quintas feiras e aos sábados o movimento aumenta exponencialmente, com as noites de fado – aconselho vivamente que façam reservas!

Café Majestic, Café Guarany… dois legados históricos da cidade do Porto, duas testemunhas alegres das nossas vivências portuenses. Obrigada, Sr. Agostinho, Sr. Fernando e restante família Barrias, pelo carinho e devoção que resgatou estes cafés das garras da modernidade!historia famoso cafe guarany porto devoção

Nota: A foto de capa é de clara-maya via Visual hunt / CC BY-NC-ND

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Será um prazer recebê-lo no Porto! 🙂

2019-05-20T22:14:12+00:00Abril 11th, 2016|Comida & Bebida|2 Comments
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