Locais secretos do Porto que tem de conhecer

Atrações turísticas

Setembro 14, 2017
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Já escrevi sobre os melhores monumentos da cidade; no entanto, falta uma lista dos mais bonitos lugares secretos do Porto.

Fica aqui a lista, como sugestão para um passeio de domingo.

Lentamente os dias soalheiros dão lugar aos chuvosos, a balbúrdia desvanece-se com o vento e a imensa torre de Babel turística dá lugar às vozes do Porto.

É altura de um olhar mais prolongado sobre a cidade, de uma certa forma de escrever recatada, dos sentimentos recônditos de Outono.

É, parece-me, a altura ideal de vos apresentar alguns dos locais secretos do Porto, ideais para um passeio sorridente.

Os mais bonitos locais secretos do Porto são…

Antigo Velódromo Rainha D. Amélia

Rua Adolfo Casais Monteiro, 60

Distraidamente percorremos a Rua de Adolfo Casais Monteiro sem imaginar que, por detrás de um grande portão, se esconde um dos locais secretos do Porto: o antigo Velódromo Maria Amélia.

A história deste velódromo remonta ao século XIX quando, em 1861, o rei D. Pedro V adquiriu o respeitável Palácio dos Carrancas para que este servisse de residência oficial da família real aquando das suas soberanas visitas ao Porto.

Já em 1894, o rei D. Carlos I cedeu à Associação do Velo Club do Porto um terreno precisamente nas traseiras do antigo Palácio dos Carrancas, para que aí fosse erigido um velódromo. Como era habitual na época, o velódromo foi agraciado com o nome da rainha consorte, Maria Amélia.

O velódromo Maria Amélia era o maior recinto desportivo do Porto, contando com uma pista de 333,33 metros de perímetro, e com dois campos de ténis. O recinto acolheu muitas corridas e inúmeros eventos desportivos de outras modalidades, tais como a primeira corrida motorizada em Portugal. Era, também, um local de recreio e de convívio para os seus associados.

Com a implantação da República, o velódromo Maria Amélia encerrou, tendo a inclemência do esquecimento tomado conta deste fabuloso espaço.

O antigo velódromo está agora situado nas traseiras do Museu Nacional Soares dos Reis.

Capela do Sr. de Além

Rua Cabo Simão, 189

Avessa aos olhares desatentos, a Capela do Senhor d’Além, construída em 1877 junto à Serra do Pilar, é um convite aberto a quem aprecia monumentos arruinados.

A capela original foi mandada erigir pelo bispo D. Pedro Rabaldio em 1140, por haver sido encontrada, durante a construção de um convento dedicado a São Nicolau, uma imagem do Senhor Crucificado.

Essa mesma imagem viria a provocar mais uma quezília entre a cidade do Porto e a vila de Gaia; é que em certa ocasião a dita cuja foi levada ao Porto, para a execução das preces ad preltendam pluviam – rezar a queda de chuvas – sendo conduzida em fervorosa procissão pelas ruas da mesma cidade.

Como chovia nesse dia, os cónegos da Sé do Porto recolheram a imagem e não mais a deixaram vir para a sua morada original, a Capela do Senhor d’Além. Assim, os gaienses viram-se forçados a fazer uma nova imagem para colocarem na sua capela, nunca mais a tendo emprestado aos seus ávidos vizinhos. Ficámos – os tripeiros – com a imagem roubada, e os gaienses com um dos mais bonitos locais secretos do Porto.

Se forem visitar a Capela do Senhor d’Além, batam delicadamente à porta: este edifício tem, felizmente, um dos mais devotos guardiões que já conheci… e mais não digo, que assim o prometi.

Campa Judaica no Cemitério de Agramonte

Rua da Meditação

É sobejamente conhecido o meu fascínio pela herança judaica do Porto; de tal forma, que organizo uma tour privada sobre este tema.

Curiosamente, o meu primeiro ponto de contacto com a temática judaica é capaz de ser um dos locais secretos do Porto mais bonitos.

Foi há muitos anos, quando visitei descontraídamente o cemitério de Agramonte. Aí, por entre os túmulos costumeiros, encontrei uma singela campa sem adereços que não as pequenas pedras colocadas sobre o sepulcro (um ritual baseado na tradição bíblica, quando Jacob colocou pedras na campa da sua esposa Raquel).

Que seja este o pretexto para visitar um dos poucos monumentos a céu aberto do Porto; onde cada sepultura, mais do que uma reverência à morte, é um hino à mestria portuense.

Antigo edifício da PIDE

Rua do Heroísmo, 329

Mesmo ao pé de minha casa, junto à entrada do cemitério do Prado do Repouso, encontra-se o Museu Militar do Porto. Este edifício dos finais do século XIX albergou, durante largas décadas, a Delegação da PIDE-DGS (para quem não sabe, a polícia política do regime salazarista).

Na PIDE do Porto existiam gabinetes de chefes, inspectores e directores, responsáveis pela gestão das escutas telefónicas e de passaportes. Do último andar, o das salas de interrogatório e de tortura, os prisioneiros desciam ao inferno do isolamento encarcerado, no rés do chão.

Os registos actuais apontam para uns impressionantes 7.600 portugueses do Norte de Portugal foram interrogados e torturados no actual Museu Militar do Porto. Segundo M. Superville, um advogado que falou pessoalmente com as vitimas da PIDE, escreve em 1957:

«O método de tortura mais geralmente empregado no Porto, considerada uma das menos rigorosas, consiste em obrigar ao exercício estátua. O acusado tem de estar de pé até responder a perguntas colocadas diante dos olhos. O exercício prolonga-se sem qualquer tempo de sono por vários dias e várias noites, apenas com pequenas interrupções para comer alimento. O menor desfalecimento é naturalmente reprimido com energia»

Os seus presos mais famosos são porventura Silva Marques, um deputado do (actual) PSD que se evadiu numa noite chuvosa de 1962, e Hermínio da Palma Inácio, em 1969. Ambos estão imortalizados em estátuas colocadas ao lado do Museu Militar do Porto, como guardiões silenciados de um passado esquecido.

O Museu Militar alberga, assim, um dos locais secretos do Porto, quer durante a sua utilização sombria, quer (infelizmente) pela falta de informação apropriada sobre este negro período na história da cidade.

(Restos da) Porta do Olival

Café Portas do Olival – Rua Campo dos Mártires da Pátria, 126

O corriqueiro Café da Porta do Olival é o mais antigo café do Porto, estando em actividade interrupta desde 1853 (bem mais antigo que os famosos Café Majestic e Guarany, portanto). Adiante.

Este pequeno café, tão próximo da nossa querida torre dos Clérigos, esconde um dos mais interessantes locais secretos do Porto: um pequeno arco oriundo da Porta do Olival, da antiga Muralha Fernandina!

Perdoem-me a excitação, mas não é motivo para menos: é que, para além da Muralha Fernandina ser das estruturas mais antigas do Porto (foi construída entre 1336 e 1376), foi precisamente pela Porta do Olival que D. Filipa de Lencastre entrou na cidade, aquando do seu casamento com D. João I.

Esse casamento firmou a antiquíssima aliança entre Portugal e Inglaterra (já que D. Filipa era, precisamente, de Lancaster); e, para além disso, originou a colheita da ínclita geração, do qual o mais famoso fruto foi o Infante D. Henrique. De tal forma foi crucial este casamento que Jorge de Colaço o imortalizou num gigantesco painel na Estação de Comboios de São Bento. O Porto tem motivos para estar orgulhoso!

(As fotografias utilizadas foram retiradas do Jornal de Notícias, uma vez que o café se encontra momentaneamente encerrado para férias. Mal possa substituo-as por fotografias da minha autoria!).

A Bandeirinha da Saúde

Rua da Bandeirinha, 27

Do século XV ao século XVII, o Porto tinha (pelo menos) um simples e eficaz sistema de controlo de doenças: a bandeirinha.

A bandeirinha era hasteada num torreão granítico mesmo em frente ao Palácio das Sereias no momento em que um novo barco era avistado a navegar em direcção à ribeira. Quando o navio avistasse a bandeirinha tinha de atracar no meio do rio, esperando a visita de uma comissão sanitária que tinha como função inspecionar a saúde dos passageiros a bordo.

Caso existissem pessoas doentes, estas passariam por um período de quarentena no antigo Mosteiro de Santo António da Piedade, transformado, então, em “Lazareto”.

Vale a pena visitar aquele que é um dos mais interessantes locais secretos do Porto, não só pela bandeirinha em si mas também – ou principalmente – pela vista pouco turística sobre o rio Douro.

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Será um prazer recebê-lo no Porto! 🙂

2017-09-14T15:54:24+00:00 Setembro 14th, 2017|Atrações turísticas|1 Comment
  • Pedro JP Sarda

    E já agora, a foto que “encabeça” o artigo, é de que local? Abraços e mais uma vez obrigado por mais um excelente artigo.

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