Um dos principais símbolos do Porto é o barco rabelo. Estes barcos achatados, que hoje repousam silenciosamente à beira rio, eram os cavalos náuticos usados para transportar os barris de vinho do Porto desde o Douro vinhateiro até às caves em Vila Nova de Gaia. Durante séculos, quando não existiam estradas apropriadas ou linha ferroviária, os barcos rabelo eram o meio de transporte mais confiável, mais não seja pela sua exclusividade.

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ancient rabeloComo barcos navegando um rio particularmente turbulento, exigiam marinheiros experientes – cerca de uma dúzia deles, de forma a assegurar que o precioso vinho chegava intacto. Um longo remo sobre a popa chamado espadela era usado para manobrar o barco, por marinheiros que se mantinham de pé numa estrutura de madeira chamada apégada. De lá, era mais fácil controlar o barco, bem como estar atento às correntes do rio e a obstáculos inesperados.

E… como é que os barcos eram levados rio acima, com os barris vazios, de volta às vinhas? Ah, isso era uma história completamente diferente; os barcos tinham longas cordas por onde eram puxados por homens ou por bestas de cargas, em caminhos de sirga, pelas margens do rio Douro. E, de forma a evitar que o barco batesse nas rochas da margem, os marinheiros a bordo usavam uma espécie de cana comprida com uma terminação em gancho chamada bicheiro.rabelo upHoje em dia os barcos rabelo já não desafiam o rio Douro; ao invés, esperam ansiosamente em Vila Nova de Gaia pelo único dia do ano em que podem navegar as águas novamente: o dia de S. João, o santo mais acarinhado pela cidade, embora não seja o Santo Padroeiro do Porto, como eu já expliquei aqui 🙂

 

Foto de capa por Nuno Cruz