Como escolher um vinho do Porto?

Comida & Bebida

Novembro 18, 2015

Perguntado por Wojtek, Polónia

Perguntado por Wojtek, Polónia

Quem visita o Porto inevitavelmente leva uma garrafa de vinho do Porto para impressionar lá em casa. Mas como escolher entre tantas variedades? Que tipo de vinho vai de encontro ao nosso gosto particular? E todas aquelas designações no rótulo: vintage, LBV, datas, anos… o que significam afinal?

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O vinho do Porto pode ser Rosé, Branco, Ruby ou Tawny, com diferentes características em termos de cores, aromas e sabores. Cada uma dessas categorias pode depois ser classificada como Jovem, Reserva ou Superior, de acordo com a sua idade e qualidade.

Os Rubys são os vinhos do Porto mais correntes e devem a sua cor escura ao envelhecimento em cubas de aço inoxidável, que previnem o processo de oxidação. Assim, preservam as características de um vinho jovem, mantendo a cor original.

Os Rubys superiores podem ser Vintage ou LBV, que significa Late Bottled Vintage, ou, numa tradução livre, “Vintage engarrafados posteriormente”.

Os Vintage aparecem em anos de colheitas excepcionais. Permanecem em cubas gigantes conhecidas por balseiros, e, devido ao tamanho das mesmas, a maior parte do vinho nunca está em contacto com a madeira. Quando o processo de envelhecimento acaba (geralmente ao fim de 2 anos), o vinho é engarrafado sem ser filtrado, criando um depósito natural e tendo a capacidade de envelhecer na garrafa.

Quando as companhias vinícolas acreditam estar perante um Vintage, porque a colheita desse ano foi excepcional, submetem-no à avaliação do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto. Portanto, uma garrafa com a denominação Vintage no rótulo tem obrigatoriamente a referência ao ano em que foi produzido.

Os LBV têm um processo de envelhecimento mais demorado, geralmente entre 5 a 6 anos, e daí a sua designação “Vintage engarrafados posteriormente“.

Os Vintage, devido à sua excepcionalidade e preço, pedem uma ocasião especial para serem apreciados. Alguns especialistas sugerem frutos secos, queijos intensos e chocolate negro para acompanhar um Vintage, mas eu prefiro tê-lo como actor único na minha mesa 🙂

Se apreciam vinhos do Porto mais impetuosos, sugiro que experimentem vinhos do Porto Vintage ou LBV (dependendo do vosso orçamento!).

Avancemos para os Tawnys! Estes vinhos envelhecem em barris de madeira usados, o que confere uma tonalidade âmbar e um travo a especiarias muito próprio. O

facto de os barris serem usados implica que os sabores e aromas já impregnados na madeira serão transmitidos ao vinho; e, por serem mais pequenos, todo o vinho estará em contacto com a madeira, pelo que o processo de oxidação é acelerado. Tawnys são, assim, vinhos complexos de constante surpresa no palato.

Os Tawnys superiores têm uma referência à idade: 10, 20 ou 40 anos. Isso não significa que o vinho tem efectivamente 10 anos de idade, mas que possui as características de um vinho dessa idade.

Geralmente, quanto mais antigo melhor, por isso aconselho a prova de um vinho acima dos 20 anos. E, devido ao exotismo dos sabores, é difícil aconselhar o que deve acompanhar um Tawny.

A minha sugestão é que provem um antes de o comprar, e decidam qual a vossa combinação preferida – geralmente, sobremesas de ovo com frutos secos nunca falham 😉

 

2017-08-31T09:29:33+00:00Novembro 18th, 2015|Comida & Bebida|0 Comments
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